O salto em altura é uma das provas mais emblemáticas do atletismo, em que os atletas procuram ultrapassar uma fasquia horizontal sem a derrubar, recorrendo à técnica do Fosbury Flop. Em 2026, os recordes mundiais absolutos ao ar livre pertencem a dois atletas de gerações muito diferentes: o cubano Javier Sotomayor, cujo salto histórico de 1993 continua inigualado na categoria masculina, e a ucraniana Yaroslava Mahuchikh, que em 2024 quebrou uma marca que resistira 37 anos na categoria feminina.
O recorde mundial masculino: Javier Sotomayor e os 2,45 m
O recorde mundial masculino de salto em altura é de 2,45 m, estabelecido pelo cubano Javier Sotomayor a 27 de julho de 1993, em Salamanca, Espanha, durante um meeting internacional. É o recorde de atletismo de pista e campo com maior longevidade em vigor, permanecendo imbatido há mais de três décadas.
Sotomayor, nascido em 1967 em Limonar, Cuba, mediu 1,93 m e foi considerado o maior saltador em altura da história. Naquela tarde em Salamanca, realizou apenas quatro saltos ao longo da competição, tendo ultrapassado 2,32 m e 2,38 m antes de tentar 2,45 m. Falhou à primeira tentativa mas, na segunda, passou com ligeiro toque na fasquia — um centímetro acima do que qualquer ser humano alguma vez saltara. Com esse salto, Sotomayor tornou-se o único atleta da história a ultrapassar os 2,44 m (equivalente a 8 pés), uma barreira que nenhum outro atleta conseguiu sequer igualar.
A técnica de Sotomayor distinguia-se por uma corrida de aproximação em 14 passadas, com dois passos alongados característicos no meio do curso e uma impulsão com a perna esquerda, complementada por um movimento rítmico dos dois braços. O cubano quebrou o recorde mundial por quatro vezes ao longo da carreira e detém igualmente o recorde mundial de pista coberta com 2,43 m, estabelecido em 1989.
O atleta mais próximo de bater o recorde ao ar livre foi o qatariano Mutaz Essa Barshim, que saltou 2,43 m em 2014 — dois centímetros abaixo da marca cubana. Desde então, apesar dos avanços na preparação física, nutrição desportiva e metodologias de treino, nenhum atleta se aproximou dos 2,45 m. Em 2026, o recorde de Sotomayor completa 33 anos de imbatibilidade, sendo amplamente citado como o recorde mais difícil de superar em todo o atletismo.
O recorde mundial feminino: Yaroslava Mahuchikh e os 2,10 m
Na categoria feminina, o recorde mundial pertence à ucraniana Yaroslava Mahuchikh, com 2,10 m, estabelecido a 7 de julho de 2024 na Wanda Diamond League de Paris, realizada no Stade de France.
Mahuchikh, nascida em 2001 em Dnipro (Ucrânia), derrubou uma das marcas mais antigas do atletismo mundial: os 2,09 m da búlgara Stefka Kostadinova, estabelecidos no Campeonato do Mundo de Atletismo de 1987, em Roma — um recorde que resistira 37 anos. Naquela noite em Paris, a atleta ucraniana começou por saltar 2,03 m à segunda tentativa, depois ultrapassou à primeira 2,07 m, uma marca que nunca havia atingido. Encorajada pela forma demonstrada, pediu a colocação da fasquia em 2,10 m — e voltou a passar à primeira tentativa, arrancando uma enorme ovação do público.
O recorde foi oficialmente ratificado pela World Athletics a 24 de outubro de 2024. Mahuchikh foi ainda eleita Atleta de Campo do Ano pela World Athletics na cerimónia de prémios de 2024, tendo sido campeã olímpica nos Jogos de Paris 2024 e campeã mundial em várias ocasiões. A sua conquista foi ainda mais simbólica dado o contexto da guerra na Ucrânia, que obrigou a atleta a treinar e competir longe do seu país durante vários anos.
A técnica que tornou tudo possível: o Fosbury Flop
Ambos os recordes foram estabelecidos com a técnica do Fosbury Flop, introduzida pelo norte-americano Dick Fosbury nos Jogos Olímpicos de Cidade do México em 1968. Nesta técnica, o atleta passa a fasquia de costas e com a cabeça primeiro, arquejando o corpo de forma a que o centro de massa possa passar por baixo da fasquia mesmo quando o corpo a atravessa por cima — um fenómeno possível graças à biomecânica e à distribuição do peso corporal.
Antes do Fosbury Flop, as técnicas dominantes eram o Straddle (rolo ventral) e o Western Roll. Desde a sua adoção generalizada nos anos 1970, praticamente todos os recordes mundiais foram estabelecidos com este método.
Recordes mundiais em pista coberta
Para além dos recordes ao ar livre, a World Athletics reconhece igualmente recordes mundiais em pista coberta (indoor), que tendem a ser ligeiramente inferiores devido à diferença das condições de competição.
- Masculino (indoor): 2,43 m — Javier Sotomayor (Cuba), 4 de março de 1989, em Budapeste, Hungria.
- Feminino (indoor): 2,08 m — Kajsa Bergqvist (Suécia), 4 de fevereiro de 2006, em Arnstadt, Alemanha.
Note-se que o recorde feminino indoor foi igualado por Yaroslava Mahuchikh em 2024, mas a marca original permanece válida. No Campeonato do Mundo de Atletismo em Pista Coberta de 2026, realizado em Toruń, Polónia, Mahuchikh venceu o ouro na prova de salto em altura, confirmando o seu domínio na modalidade.
Comparação histórica e perspetiva
O contraste entre as duas categorias é notável: enquanto o recorde masculino está congelado desde 1993 e parece desafiar a evolução desportiva, o recorde feminino foi quebrado em 2024 após 37 anos. Ambos os casos ilustram a raridade com que se estabelecem marcos históricos no salto em altura, uma disciplina em que as diferenças entre recordes são medidas em milímetros e cada centímetro ganho exige anos de preparação física e técnica de elite.
Os especialistas apontam fatores biomecânicos como determinantes para o eventual limite humano na prova: a relação entre força explosiva, comprimento dos membros inferiores, peso corporal e coordenação técnica define um tecto natural de desempenho que, no caso de Sotomayor, parece ter sido alcançado de forma excecional em 1993.
Perguntas frequentes
Qual é o recorde mundial de salto em altura masculino?
O recorde mundial masculino de salto em altura é de 2,45 m, estabelecido pelo cubano Javier Sotomayor a 27 de julho de 1993, em Salamanca, Espanha. É o recorde mais antigo em vigor no atletismo mundial.
Qual é o recorde mundial de salto em altura feminino?
O recorde mundial feminino é de 2,10 m, estabelecido pela ucraniana Yaroslava Mahuchikh a 7 de julho de 2024, na Diamond League de Paris. Quebrou a marca de 2,09 m da búlgara Stefka Kostadinova, que resistia desde 1987.
Alguém já ultrapassou os 8 pés no salto em altura?
Sim, apenas uma pessoa: Javier Sotomayor. O seu salto de 2,45 m equivale a 8 pés e cerca de meio centímetro. Nenhum outro atleta na história ultrapassou sequer os 2,44 m (8 pés exatos).
Qual é a técnica usada nos recordes mundiais de salto em altura?
Todos os recordes mundiais modernos de salto em altura foram estabelecidos com a técnica do Fosbury Flop, em que o atleta passa a fasquia de costas e com a cabeça primeiro, arqueando o corpo para maximizar a eficiência biomecânica.
Há quanto tempo está por bater o recorde masculino de salto em altura?
Em 2026, o recorde de Javier Sotomayor completa 33 anos sem ser superado, sendo amplamente considerado o recorde mais duradouro e difícil de bater em todo o atletismo de pista e campo.
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